1 de dezembro de 2011

eu comigo mesma

pensando na volta pra Brasília de 13/dez.

"Ei, você lembra do motivo inicial? Aquela razão primordial de toda essa aventura, a razão que você não contou a NINGUÉM? O motivo pelo qual você queria fugir? Fugir das lembranças, de uma dor, de um passado... E tudo que você encontrou e construiu foram mais lembranças, de um presente que agora mesmo já está se tornando passado."

A coisa mais unânime que ouvi sobre isso foi: QUE CORAGEM.

E eu sorria, e pensava o quão enganada estavam todas essas pessoas, porque o que eu estava fazendo não tinha nada de coragem. Pra falar a verdade, meus motivos não envolviam nenhuma necessidade de coragem. O que há de corajoso em fugir?
Mas só agora eu vejo. SÓ AGORA eu vou precisar usar essa coragem, porque eu não tinha me dado conta que fugir de um lugar é construir uma vida em outro. E aí que agora você tem lar em dois lugares. E quanto mais você foge, mais você tem que fugir.
Ou pior, você tem um segundo lar e agora tem que voltar pro primeiro. E agora a gente nunca mais está completo. A gente nunca mais está 100% onde deveria estar. A gente nunca está voltando para o lugar onde se quer estar. Sempre fugindo de casa, sempre voltando pro passado.
Sem nem me dar conta dessas implicações, fiz uma coisa que me requeriu muita coragem. Não a coragem de deixar tudo pra trás. Mas de criar um novo lar que se sabe que se tem de deixar. A coragem de criar um novo lar, sabendo que o anterior nunca vai ser desfeito.

Multiplicar os lugares de onde se tem que fugir.

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